«Quando perdemos o direito de ser diferentes, perdemos o privilégio de ser livres.»Charles Evans Hughes 
When we lose the right to be different we lose the right to be free.Charles Evans Hughes 

«Quando perdemos o direito de ser diferentes, perdemos o privilégio de ser livres.»
Charles Evans Hughes 

When we lose the right to be different we lose the right to be free.
Charles Evans Hughes 

Elle cherchait, d’un oeil troublé par la tempête,De sa naïveté le ciel déjà lointain,Ainsi qu’un voyageur qui retourne la têteVers les horizons bleus dépassés le matin.
Charles Baudelaire, Les Fleurs du mal (1857), Femmes damnées II

Elle cherchait, d’un oeil troublé par la tempête,
De sa naïveté le ciel déjà lointain,
Ainsi qu’un voyageur qui retourne la tête
Vers les horizons bleus dépassés le matin.

Charles Baudelaire, Les Fleurs du mal (1857), Femmes damnées II

Vou revelar-vos um grande segredo… Não esperem pelo Juízo Final. Ele tem lugar todos os dias.
Je vais vous dire un grand secret … N’attendez pas le jugement dernier - il a lieu tous les jours.
— Albert Camus, A Queda

Vou revelar-vos um grande segredo… Não esperem pelo Juízo Final. Ele tem lugar todos os dias.

Je vais vous dire un grand secret … N’attendez pas le jugement dernier - il a lieu tous les jours.

— Albert CamusA Queda

Mas a implacável Vénus olha ao longe para não sei o quê, com os seus olhos de mármore.
Mais l’implacable Vénus regarde au loin je ne sais quoi avec ses yeux de marbre.
Charles Baudelaire,  « Le Fou et la Vénus », Le Spleen de Paris, [Petits poèmes en. prose], VII, 1869

Mas a implacável Vénus olha ao longe para não sei o quê, com os seus olhos de mármore.

Mais l’implacable Vénus regarde au loin je ne sais quoi avec ses yeux de marbre.

Charles Baudelaire,  « Le Fou et la Vénus », Le Spleen de Paris, [Petits poèmes en. prose], VII, 1869

Andar por Lisboa, viver na cidade, é lidar com margens. Margens no sentido de umbrais, de pontos de passagem, de fronteiras; margens no sentido de periferias, de zonas de dúvida, de incertezas; margens no sentido de riscos, inseguranças; margens no sentido de desvios, diferenças inconfessáveis ou só parcialmente compreendidas; margens no sentido de ambiguidades definicionais. Quem abrir bem os olhos cedo se aperceberá dessa «difusão das margens» — a vida urbana, toda ela, é feita de marginalidades e das respectivas centralidades. 
João de Pina Cabral & Inês Meneses. 

Andar por Lisboa, viver na cidade, é lidar com margens. Margens no sentido de umbrais, de pontos de passagem, de fronteiras; margens no sentido de periferias, de zonas de dúvida, de incertezas; margens no sentido de riscos, inseguranças; margens no sentido de desvios, diferenças inconfessáveis ou só parcialmente compreendidas; margens no sentido de ambiguidades definicionais. Quem abrir bem os olhos cedo se aperceberá dessa «difusão das margens» — a vida urbana, toda ela, é feita de marginalidades e das respectivas centralidades. 

João de Pina Cabral & Inês Meneses

"Não vendo, só te vejo a ti."Inês Pedrosa, em A eternidade e o desejo.

"Não vendo, só te vejo a ti."


Inês Pedrosa, em A eternidade e o desejo.

Quase todas as obras são feitas com brilhos de imitação, calafrios aprendidos e êxtases pilhados.
E. M. Cioran, Silogismos da Amargura

Quase todas as obras são feitas com brilhos de imitação, calafrios aprendidos e êxtases pilhados.

E. M. Cioran, Silogismos da Amargura

Existem dois tipos de pessoas nesse mundo, boas e más. As boas dormem melhor, mas as más parecem aproveitar muito mais as horas em que estão acordadas.
There are two types of people in this world, good and bad. The good sleep better, but the bad seem to enjoy the waking hours much more.
Woody Allen

Existem dois tipos de pessoas nesse mundo, boas e más. As boas dormem melhor, mas as más parecem aproveitar muito mais as horas em que estão acordadas.

There are two types of people in this world, good and bad. The good sleep better, but the bad seem to enjoy the waking hours much more.

Woody Allen

Liberdade— Liberdade, que estais no céu…Rezava o padre-nosso que sabia,A pedir-te, humildemente,O pio de cada dia.Mas a tua bondade omnipotenteNem me ouvia.— Liberdade, que estais na terra…E a minha voz cresciaDe emoção.Mas um silêncio triste sepultavaA fé que ressumavaDa oração.Até que um dia, corajosamente,Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,Saborear, enfim,O pão da minha fome.— Liberdade, que estais em mim,Santificado seja o vosso nome. — Miguel Torga, Diário XII

Liberdade— Liberdade, que estais no céu…
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pio de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.

— Liberdade, que estais na terra…
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.

Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
— Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome.

— Miguel Torga, Diário XII

Os cantores são como os Árabes. Abominam o vazio. E o vazio define-se como “quando eu não estou a cantar”.
Singers are like Arabs. They abhor a vacuum. And a vacuum is defined as “when I’m not singing”.
Brian Eno

Os cantores são como os Árabes. Abominam o vazio. E o vazio define-se como “quando eu não estou a cantar”.

Singers are like Arabs. They abhor a vacuum. And a vacuum is defined as “when I’m not singing”.

Brian Eno

Como foi a imaginação que criou o mundo, é ela que o governa.
Comme l’imagination a créé le monde, elle le gouverne.
Charles Baudelaire, Extrait des Curiosités Esthétiques.

Como foi a imaginação que criou o mundo, é ela que o governa.

Comme l’imagination a créé le monde, elle le gouverne.

Charles Baudelaire, Extrait des Curiosités Esthétiques.

Et imite autant que possible les Grecs et Latins dans leur manière de montrer les membres quand le vent presse les draps contre eux. Et fais peu de plis, sauf pour les vieillards en toge et pleins d’autorité.
A. Chastel, Léonard de Vinci. Traité de la peinture, Paris, Berger-Levrault, 1987

Et imite autant que possible les Grecs et Latins dans leur manière de montrer les membres quand le vent presse les draps contre eux. Et fais peu de plis, sauf pour les vieillards en toge et pleins d’autorité.

A. Chastel, Léonard de Vinci. Traité de la peinture, Paris, Berger-Levrault, 1987

O meu país sabe às amoras bravasno Verão.Ninguém ignora que não é grande, nem inteligente, nem elegante o meu país,mas tem esta voz docede quem acorda cedo para cantar nas silvas.Raramente falei do meu país, talveznem goste dele, mas quando um amigome traz amoras bravasos seus muros parecem-me brancos,reparo que também no meu país o céu é azul.
Eugénio de Andrade

O meu país sabe às amoras bravas
no Verão.
Ninguém ignora que não é grande, 
nem inteligente, nem elegante o meu país,
mas tem esta voz doce
de quem acorda cedo para cantar nas silvas.
Raramente falei do meu país, talvez
nem goste dele, mas quando um amigo
me traz amoras bravas
os seus muros parecem-me brancos,
reparo que também no meu país o céu é azul.

Eugénio de Andrade

Vemos, ouvimos e lemosNão podemos ignorar
Sophia de Mello Breyner Andresen

Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar

Sophia de Mello Breyner Andresen

Portugal

Ó Portugal, se fosses só três sílabas,
linda vista para o mar,
Minho verde, Algarve de cal,
jerico rapando o espinhaço da terra,
surdo e miudinho,
moinho a braços com um vento
testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,
se fosses só o sal, o sol, o sul,
o ladino pardal,
o manso boi coloquial,
a rechinante sardinha,
a desancada varina,
o plumitivo ladrilhado de lindos adjectivos,
a muda queixa amendoada
duns olhos pestanítidos,
se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,
o ferrugento cão asmático das praias,
o grilo engaiolado, a grila no lábio,
o calendário na parede, o emblema na lapela,
ó Portugal, se fosses só três sílabas
de plástico, que era mais barato!

Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,
rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,
não há papo-de-anjo que seja o meu derriço,
galo que cante a cores na minha prateleira,
alvura arrendada para ó meu devaneio,
bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.

Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nós…

— Alexandre O’Neill